Portal NetEscola

Autobiografias, piadas, miniconto – Atividade 7 - 19/04/2021

ESTRUTURA E LINGUAGEM DE AUTOBIOGRAFIA

A autobiografia é um tipo de gênero literário que constitui uma narrativa de caráter pessoal e o seu traço mais significativo é a inserção do próprio escritor como personagem principal. Escrever uma autobiografia implica num pacto literário e não histórico ou documental, porque ora a narrativa apresenta um resgate memorialístico (baseado na realidade) ora constrói a trama com os fios da ficção.

O narrador comumente se coloca no tempo presente e, ao olhar para trás, o seu passado nada mais é do que uma tessitura de reminiscências que não são completamente capturáveis, são moventes, isto é, mesmo que escritor queira apreender a realidade como ela foi, no momento da escritura isso já não é mais possível, afinal as experiências vividas são inapreensíveis. É nessa fenda do inapreensível que o ficcional se estabelece.

Algumas autobiografias famosas:

  • Cadernos de Lanzarote, José Saramago
  • Confissões, Santo Agostinho;
  • Palavras, Satre;

A autobiografia não pode, contudo, ser analisada apenas da perspectiva individual. Ela é um gênero que propõe a integração coletiva porque ao narrar a sua história o indivíduo partilha com a sua comunidade, e com contas as outras, as suas impressões e a sua visão de mundo, permitindo ao leitor/público ter acesso a outras perspectivas.

Disponível em: https://images.app.goo.gl/ANz1wwXrSasZd1ay8. Acesso em 30 de março de 2021.

Os novos suportes de comunicação dão abertura para as variantes da autobiografia. Muitas delas já não têm mais como produto final um livro ou um roteiro de cinema, mas sim publicações em blogs, redes sociais e vídeos em formato de stories.

Disponível em: https://www.infoescola.com/generos-literarios/autobiografia/. Acesso em 30 de março de 2021.

ESTRUTURA E LINGUAGEM DE MINICONTO E PIADAS

O surgimento e a consagração dos gêneros literários dependem do contexto em que são produzidos. O romance teve seu auge no século XIX, quando as pessoas tinham mais tempo para a leitura. O conto, narrativa mais curta, tornou-se frequente no início do século XX, quando a velocidade passou a fazer parte da vida do homem. O século XXI, marcado pela vida apressada, é berço de outro gênero: o miniconto, também denominado microconto.

Embora o prefixo “mini-” remeta ao tamanho do texto, o miniconto não é só um conto pequeno: é um texto marcado pela concisão, no qual sugerir é mais importante que descrever. Mantendo-se os principais elementos do conto (de tempo e espaço), e a estrutura de começo, meio e fim, pode-se variar de uma frase até uma página e deve-se produzir no leitor efeito semelhante àquele proporcionado pelo conto tradicional. Como em toda obra literária, nos mini e nos microcontos a participação do leitor é fundamental, pois este preencherá as lacunas deixadas pelo autor, com sua vivência, com seu repertório de leituras.

São características do miniconto:

Concisão – somente a ideia principal deve estar presente.

Narratividade – deve ser possível ao leitor identificar uma narrativa, não uma descrição.

Efeito – o efeito do miniconto sobre o leitor deve ser semelhante ao de um conto longo.

Abertura – o conto deve prender a atenção do leitor logo no início.

Exatidão – as palavras são escolhidas minuciosamente, para que nada exceda o essencial.

Exemplos de microconto:

     “A velha insônia tossiu às três da manhã”. (Dalton Trevisan)

     “A mulher que amei se transformou em fantasma. Eu sou o lugar das aparições”. (Juan José Arreola)

       Exemplo de miniconto:

A coceira no ouvido atormentava. Pegou o molho de chaves, enfiou a mais fininha na cavidade. Coçou de leve o pavilhão, depois afundou no orifício encerado. E rodou, virou a pontinha da chave em beatitude, à procura daquele ponto exato em que cessaria a coceira.

Até que, traque, ouviu o leve estalo e a chave enfim no seu encaixe percebeu que a cabeça lentamente se abria.                         

     (COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgado. Rio de Janeiro: Rocco, 1986. p. 11.)

Na década de 1990, Dalton Trevisan publicou Ah, é?, considerado o marco do gênero no país. Em 2004Os cem menores contos, livro organizado por Marcelino Freire, consagrou definitivamente o gênero na literatura brasileira contemporânea.

Disponível em: http://especialistas.aprendebrasil.com.br/miniconto/. Acesso em 30 de março de 2021

CONHEÇA ALGUMAS FIGURAS DE LINGUAGEM:





Disponível em: https://www.vestmapamental.com.br/portugues/introducao-4/. Acesso em 29 de março de 2021.
 

O livro Eu Sou Malala – A História da Garota Que Defendeu a Educação e Foi Baleada pelo Talibã, lançado em 2013, conta toda a história dessa jovem superpoderosa, que acredita que as palavras (e os livros) têm o poder de mudar o mundo.

Autobiografia – ‘Eu Sou Malala’: leia um trecho da autobiografia da vencedora do Nobel da Paz

Eu nasci na pequena cidade de Mingora, no Paquistão, no dia 12 de julho de 1997. Aos 15 anos, ainda bem jovem fui baleada na cabeça pelo grupo rebelde talibã Tehrik-e-Niswan, que acredita que as mulheres, desde cedo, devem aprender a ser exímias donas de casa. Escola? Faculdade? Estudo? Ah! Nada disso é coisa de menina. Eu quase morri, mas suportei a dor e lutei pela vida.

Sempre pensei de forma diferente. Desde criança, me destacava por ser uma excelente e dedicada aluna. O tempo passou e o meu interesse de jovem pelo conhecimento só aumentou. Eu não reclamava de ser proibida de ir à aula.

Apesar das constantes ameaças feitas pelos talibãs, que até hoje não admitem que garotas frequentem a escola, continuei com os estudos. Foi então que o pior aconteceu. No dia 9 de outubro de 2012, levei um tiro na cabeça assim que deixei o colégio. Mas engana-se quem pensa que isso me parou.

É claro que sofri. Eu tive medo. Muito medo! Pelo menos, de início. Depois, senti que precisava fazer ainda mais por mim e por minhas colegas paquistanesas, cujo maior crime é querer estudar.

Disponível em: https://capricho.abril.com.br/comportamento/as-13-frases-mais-inspiradoras-de-malala-yousafzai/. Acesso em 29 de março de 2021

.

1. O texto pode ser considerado uma autobiografia porque

  • O narrador apresenta a história de vida de Malala
  • Malala, que é a personagem real, apresenta fatos sobre a sua vida.
  • Apresenta fatos ocorridos com uma personagem que não existe na realidade
  • Apresenta a opinião de Malala sobre o preconceito onde ela morava.

2. Identifique e retire do trecho da autobiografia verbos em 1ª pessoa que caracterizam que é uma autobiografia. Por que foram utilizados nesse gênero.

3. Identifique no primeiro parágrafo a ocorrência de antíteses.

4. Quem é a pessoa autobiografada? Por que essa autobiografia tem relevância social?

5. Se uma pessoa diz: Li Malala e gostei da história. Qual é figura de linguagem presente na frase? Como ficaria mais adequada a frase?

6. Qual é o título da obra – autobiografia de Malala? O que esse título sugere?

Minicontos do Dalton Trevisan

Texto 1

A mãe para a nora:

– Com a morte do João, naquele dia, você morreu para mim. Acompanhei o enterro dele de você. Lá no cemitério foi enterrada no mesmo caixão. Pra mim é morta duas vezes. 

(Dalton Trevisan)

7. O que significa a passagem “Acompanhei o enterro dele de você”? 

8. Por que a nora foi morta duas vezes?

Texto 2

Tic, tic, tic,lá vem o ceguinho, óculos preto e bengala branca.

Alguém bate bola na calçada – Tac, tac, tac –, como ele sabe que é menina? Tic, tic, segue em frente. 

Na esquina, quem batuca na caixinha de fósforo – tec, tec, tec?

O vento lhe sopra que é um malandro? Tic, tic, tic, nada o distrai.

Quem arrasta a sandália de couro – chap, chap, chap?

Você lhe disse que é uma pobre velhinha? Tic, tic, sempre adiante.

Agora o salto alto retinindo na pedra – toc, toc, toc. Uma voz lhe conta que é uma mocinha e bonita? Tic, tic, ti… a bengala no ar titubeia e para. Lá vai o saltinho faceiro, toc, toc, toc. Ele faz meia volta.

Tic, tic, tic, tic. Depressinha.

Toc.

Tic, tic, tic.

Toc.

Tic, tic.

Toc, tic. Toc, tic. Toc, tic. 

(Dalton Trevisan)

Disponível em: https://arteemanhasdalingua.blogspot.com/2019/05/atividade-sobre-os-minicontos. Acesso em 29 de março de 2021.

9. A personagem principal é identificada já no início do conto pelo som: tic, tic, tic.

a) Quem é a personagem? 

b) A que se refere esse som que identifica a personagem? Qual é a figura de linguagem utilizada para representar esse som?

10. A cada som, corresponde uma personagem:  tac, tec, toc, chap. Não é possível conhecer cada uma das personagens apenas por esses sons porque eles indicam ações, mas não pessoas. As pistas sobre as personagens são dadas ao leitor no decorrer do texto. De que forma isso ocorre? Transcreva um exemplo:

11. Identifique quem são as personagens e de onde vem o som que as identifica:

a) Tac:

b) Tec:

c) Chap: 

12. Qual a provável intenção de evidenciar os sons, as onomatopeias para identificar todas as personagens?

13. Leia o conto 189. Reescreva-o, colocando detalhes. Acrescente informações, mas não mude a história. Coloque breves descrições de personagens. Desenvolva as frases.

Ao sair do banheiro, ele cruza com ela na cozinha.

— Oi – ela diz.

Já na porta, sem se virar: — Oi – ele diz.

Assim ano após ano até que, um dia, ela se vai. Toda manhã ele entra na cozinha e diz “Oi”. Mas você responde? Nem ela.

(Dalton Trevisan)

Se possível, clique aqui para baixar ou imprimir a aula!