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Crônica – 4 ª Aula – Língua Portuguesa – 9 º Ano - 22/05/2020

Olá pessoal! Bem vindo para mais uma aula!

RETOMANDO OS ESTUDOS SOBRE CRÔNICA

         A crônica é um gênero textual discursivo que narra situações cotidianas da vida urbana. É um gênero textual típico dos séculos XIX, XX e XXI, normalmente sendo encontrada em jornais ou revistas. Em muitos casos, célebres cronistas – tais quais Lima Barreto ou Luís Fernando Veríssimo – reúnem suas crônicas em livros.

         Características: Reveja, a seguir, as principais características da crônica: o fator principal que define a crônica é sua temática: crônicas abordam assuntos vinculados ao cotidiano das cidades. Lembrando que um bom cronista é aquele que narra situações banais sob uma ótica particular e criativa. É muito comum que esse tipo de texto tenha marcas claras de humor. 

        Quanto à linguagem da crônica, costuma ser leve, coloquial  e simples. Tratando-se do local de publicação, normalmente, é em jornais, revistas e blogs.

 

Relembrando os Tipos de crônica

 

        A produção de crônicas está diretamente ligada à difusão da imprensa na sociedade. Foi por meio dos jornais que, a priori, as crônicas começaram a circular na vida dos cidadãos. Entretanto, se esse espaço de publicação ainda é o mais utilizado pelos cronistas, os tipos de crônicas que existem são diversos. De algum modo, é possível dizer que existem dois tipos de crônica: as narrativas e as jornalísticas.

 

        Crônica narrativasão aquelas que não apresentam estruturas textuais argumentativas ou reflexivas predominantes. Nesse caso, a crônica pode ser definida como um gênero literário marcado pela narração de situações cotidianas sob uma ótica individual.

 

       Crônica jornalística: Diferentemente da anterior, as crônicas jornalísticas misturam as tipologias textuais narrativa e argumentativa. Isso porque, a partir da narração de fatos cotidianos, os cronistas de jornal promovem reflexões e desenvolvem teses e argumentos.

 

       Crônica humorística: Tanto nas crônicas narrativas quanto nas jornalísticas, é muito comum que o humor seja uma das tônicas do texto. O uso da ironia, de comparações inusitadas ou ainda a tematização de assuntos cômicos por excelência são algumas das técnicas usadas pelos cronistas.

 
 

ATIVIDADE 1

Leia o texto a seguir:

 

Eu sei, mas não devia – por Marina Colasanti (Crônica poética)

Fevereiro 16, 2019 postado por Raphael Martins

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

      A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.

             A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

      E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. 

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

     A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

     A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

     A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

     A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

     A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

     A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Se for possível, veja o texto no site:

https://www.youtube.com/watch?v=Ax7TIU9pmc4

1 – São características da crônica:

 

a) ( ) Publicada em jornal ou revista, destina-se à leitura diária ou semanal, pois trata de acontecimentos cotidianos.

b) ( ) Nunca está vinculada aos meios de comunicação como: televisão, jornais, revistas, etc.

c) ( ) O cronista ao elaborar a sua crônica, preocupa-se, principalmente, em narrar os fatos exatamente como eles são.

d) ( ) O cronista eficiente é aquele que narra situações banais sob uma ótica popular e sem nenhuma criatividade.

 

2 – “Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia”. A ideia de nos acostumarmos pode ser muito perigosa.

De acordo com essa afirmativa, assinale a frase que não causa perigo às pessoas:

 

a) ( ) Esquecer o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

b) ( ) Pagar mais do que as coisas valem.

c) ( ) À lenta morte dos rios.

d) ( ) Acordar tranquilo e com disposição.

 

3 – “Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.” Os estudos indicam que mais de 95% do lixo nas praias brasileiras é plástico. Essas contaminações provocam a morte de uma grande quantidade de peixes.

Qual a alternativa que melhor explica sobre a mortalidade desses animais:

 

a) ( ) Aumento dos degelos em regiões brasileiras.

b) ( ) Há uma diminuição na quantidade de oxigênio.

c) ( ) Os lixos aumentam a qualidade de vida aquática.

d) ( ) Os plásticos não são nocivos aos animais aquáticos.

 

4 –” A tomar o café correndo porque está atrasado.” A palavra correndo pode ser substituída por vários termos.

Qual a frase em que a palavra correndo tem sentido literal, isto é, do verbo correr no gerúndio:

 

a) ( ) Senti um arrepio correndo pelo corpo.

b) ( ) O policial estava correndo os olhos no ambiente.

c) ( ) Sua vida ia correndo em ordem.

d) ( ) O atleta estava correndo pela estrada.

 

5 – De acordo Com o texto, há vários tipos de crônicas. O texto aborda 3 tipos. Quais são eles?

 

6 – Marina Colasanti autora de: “Eu sei, mas não devia”, retrata circunstâncias bastante comuns e com as quais todos nós conseguimos facilmente nos relacionar. No intuito de vivermos uma vida que achamos que devemos viver, acabamos privados de uma série de experiências que nos dariam prazer e nos fariam sentir especiais.

Que experiências você gostaria de viver, mas que é privado pelas circunstâncias?

 

 

PRODUÇÃO DE TEXTO

 

7 – Seguindo a estratégia utilizada pela autora, produza um texto, com o mesmo título: “Eu sei, mas não devia”.

Pense no que irá escrever, planeje seu texto, antes de produzir. Pode ser um texto curto, mas precisa ser bem criativo!

Use a sua imaginação! Assim que terminar de escrevê-lo, revise-o. Corrija e aprimore sua produção, e, se necessário, faça correções de concordância, ortografia, pontuação, imagens, se for o caso, cortes ou acréscimos etc. Bom trabalho!

 

ATIVIDADE 2

 

        “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.”

Rubem Alves

   Disponível em: https://www.pensador.com/cronicas_sobre_escola/ Acesso em: 08 de maio de 2020. /Adaptado.

 

Leia o texto para responder às questões 1 a 5:

 

1 – A frase: “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas”, apresenta na sua formação palavras com sentido figurado, isto é, não apresenta sentido real. A figura de linguagem presente nessa frase é:

 

a) (    ) hipérbole

b) (    ) metonímia

c) (    ) pleonasmo

d) (    ) metáfora

Disponível em: https://jcconcursos.uol.com.br/media/uploads/provas/provas/2015/49449.pd Acesso em 08 de maio de 2020/ Adaptado

 

  2 – “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.” De acordo com o texto, a oração em destaque significa que a escola:

 

a) (    ) Não permite que os pássaros possam construir o conhecimento (encorajando-os).

b) (    ) Não permite que os pássaros alcem altos voos, pois seriam mais inteligentes que seus mestres.

c) (    ) Criam oportunidades para que os pássaros possam construir conhecimento.

d) (    ) São neutras e não se importam que os pássaros possam alçar voos ou ficarem engaiolados.

 

3 – “Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados.” Por quê?  

 

4 – “Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser”.

Esses pássaros estão sob o controle de quem? Quem seria esse dono?

 

5 – “Na escola, […] [o] envolvimento da criança nos exige ações pedagógicas intencionais e conscientes, que provoquem situações nas quais ela possa se envolver ativamente, aprender e se desenvolver”. Este trecho é coerente com qual das escolas mencionadas no texto? Justifique sua resposta.

Por hoje é só pessoal! Fique em casa e lave bem as mãos!

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