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Rebeliões na América portuguesa: as conjurações mineiras e baiana; Ideias iluministas, anticolonialíssimo e revoltas na América Portuguesa; Brasil Colônia: interesses coloniais e movimentos de resistência – 1 ª Aula História – 8° Ano - 08/05/2020

OI GENTE!!! NOSSO TEMA DE HOJE: INCONFIDÊNCIA MINEIRA. MAS PRA CHEGAR LÁ, VAMOS FALAR SOBRE AS IDEIAS ILUMINISTAS… BORA???

Os ideais iluministas promoveram intensas transformações sociais e científicas. O homem passou a ter uma nova alternativa de entender o mundo através da ciência. Assim sendo, o Iluminismo influenciou na construção dos regimes políticos de várias civilizações, o slogan Igualdade, Liberdade e Fraternidade influenciou diferentes movimentos populares pelo mundo, inclusive no Brasil.

Vamos ver como essas ideias desse slogan chegaram nas Américas e mais especificamente no Brasil!

Leia o texto a seguir visando identificar os significados de liberdade e comparando a liberdade dos ideais iluministas com a liberdade dos movimentos de emancipação política nas Américas.

O Iluminismo nas Américas

A partir dos fins do século XVIII, a Revolução Francesa não apenas concebeu uma transformação das estruturas políticas que regulamentavam tal nação, como bem sabemos, os ideais dessa revolução foram de suma importância para que o combate ao Antigo Regime acontecesse e as antigas estruturas de pensamento político, social e cultural da Europa sofressem grande transformação. Sob tal aspecto, devemos grifar o iluminismo como o mais importante ideário empregado nessas inéditas reivindicações.

Não se restringindo ao ambiente europeu, os ideais iluministas propagados pela Revolução Francesa reverberaram no continente americano, onde as lutas por autonomia romperam com as amarras do pacto colonial. Mesmo tendo a busca por igualdade e liberdade como ponto em comum, não podemos simplesmente achar que as populações americanas se deram ao simples trabalho de copiar um ideário estrangeiro. Afinal de contas, os agentes políticos e sociais das Américas eram outros.

Em primeiro plano, é importante destacar que os europeus abraçam as bandeiras iluministas por meio da ação política burguesa e que tal classe social se volta contra entraves de origem feudal em busca de uma economia baseada na livre concorrência e a organização de um Estado que coloca todos os seus integrantes sob a vigência da mesma lei. Na prática, essa igualdade se mostra bastante questionável no momento em que os novos governos e a burguesia vetam a participação dos populares.

Nas Américas, esse tipo de contradição se mostra bastante próximo, já que a formação de uma elite privilegiada e a exploração do trabalho são traços típicos da experiência colonial deste espaço. De fato, são os próprios membros dessa elite que, mediante as mudanças vividas no capitalismo, capitaneiam os movimentos de emancipação política nas Américas defendendo os ideais de liberdade do iluminismo, tendo somente em vista o reforço de seu elo econômico com as grandes potências capitalistas.

Com isso, vemos que a antiga dependência de fundo colonial se aprofunda ainda mais com a implementação de políticas econômicas visivelmente ligadas ao reforço de uma economia agroexportadora e dependente dos produtos industrializados dos grandes centros urbanos estrangeiros. Sustentando tal projeto de ordem burguesa, vemos que a América continuava a ser palco das lutas históricas de camponeses, trabalhadores urbanos e ex-escravos ainda atormentados pela chaga da exclusão.

Analisando a repercussão do iluminismo na experiência americana, vemos que a sua efetivação não pode fundamentar transformações que de fato transformassem a liberdade e a igualdade em condições amplamente partilhadas. Pelo contrário, alguns dos problemas de idade colonial ainda se mostram vivos na debilidade de nossas instituições políticas, nos vários entraves econômicos que nos aflige e no ainda vivo interesse em buscar modelos de resolução pensados em outras civilizações.

Por Rainer Sousa

Mestre em História

SOUSA, Rainer Gonçalves. “O Iluminismo nas Américas”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historia-da-america/o-iluminismo-nas-americas.htm. Acesso em 27 de abril de 2020.

RESPONDA NO SEU CADERNO. VAMOS LÁ?

1 – Dê seu ponto de vista! Você acha que estes movimentos estavam preocupados com uma liberdade e igualdade plena para todos os sujeitos?   Por quê?

2 – Com a leitura deste texto você identificou o significado de liberdade dos ideais iluministas e liberdade dos movimentos de emancipação nas Américas. Ok?

Vamos caracteriza-los separadamente:

  1. Liberdade burguesia europeia;
  2. Liberdade das elites americanas.

3 – Dessa forma, qual é a semelhança que você consegue identificar entre os interesses de liberdade da burguesia europeia e das elites americanas?

AGORA, VAMOS CONHECER ALGUNS MOVIMENTOS NO BRASIL QUE FORAM INSPIRADOS NAS IDEIAS ILUMINISTAS.

Então vamos começar pela Inconfidência Mineira! Para isso leia as informações da capa do jornal a seguir!

Disponível em: http://ptdocz.com/doc/866055/inconfid%C3%AAncia-mineira Acesso em 23 de abr. de 2020.

Agora responda os seguintes questionamentos:

  1. Qual a tradução da inscrição da bandeira da inconfidência?
  2. Qual ideia é transmitida pela bandeira do Estado?
  3. A qual tipo de liberdade a bandeira possivelmente se refere ao pensarmos no contexto do século XVIII?
  4. Quais motivos estariam envolvidos na defesa da liberdade em relação à metrópole neste período?
  •  Na leitura você foi capaz de identificar as especificidades da Inconfidência Mineira então escreva no seu caderno o que se pede:
  • O que foi esse movimento?
  • Quando e onde aconteceu (contexto histórico)
  • Quais as principais causas?

AGORA LEIA O TRECHO DO LIVRO HISTÓRIA DO BRASIL, DE BORIS FAUSTO:

 (…) Nas últimas décadas do século XVIII, a sociedade mineira entrará em uma fase de declínio, marcada pela queda contínua da produção de ouro e pelas medidas da Coroa no sentido de garantir a arrecadação do quinto. Se examinarmos um pouco a história pessoal dos inconfidentes, veremos que tinham também razões específicas de descontentamento. Em sua grande maioria, eles constituíam um grupo da elite colonial, formado por mineradores, fazendeiros, padres envolvidos em negócios, funcionários, advogados de prestígio e uma alta patente militar, o comandante dos Dragões, Francisco de Paula Freire de Andrade. Todos eles tinham vínculos com as autoridades coloniais na capitania e, em alguns casos (…) ocupavam cargos na magistratura. José Joaquim da Silva Xavier constituía, em parte, uma exceção. Desfavorecido pela morte prematura dos pais, que deixaram sete filhos, perderá suas propriedades por dívidas e tentara sem êxito o comércio. Em 1775, entrou na carreira militar, no posto de alferes, no grau inicial do quadro de oficiais. Nas horas vagas, exercia o ofício de dentista, de onde veio o apelido de algo depreciativo de Tiradentes. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2001. p. 115. Glossário: Quinto: Imposto cobrado pela Coroa portuguesa durante o período colonial, recebeu este nome pois correspondia à quinta parte do ouro extraído, ou seja, 20%. Dragões: Tropas militares de grandes prestígios durante o período colonial que cuidavam tanto da defesa interna quanto externa do território. Magistratura: Cargo do magistrado, aquele que exerce uma função política no governo, detendo autoridade.  Alferes: Oficial de baixa patente nas forças militares no Brasil.  

DE ACORDO COM TRECHO DO TEXTO DO HISTORIADOR BORIS FAUSTO E DAS INFORMAÇÕES DA CAPA DO JORNAL RESPONDA NO SEU CADERNO AS QUESTÕES A SEGUIR:

  1. – Como era a situação da sociedade mineira no fim do século XVIII?
  2. – Quais os motivos teriam motivado o grupo descrito por Boris Fausto a se revoltar contra a Coroa?
  3. – Quais seriam suas “razões específicas de descontentamento”?
  4. – Como Tiradentes se diferenciava dos demais inconfidentes?
  5. – Algum trecho do texto dá a entender que o grupo defendia interesses de outros segmentos da população, como a população escravizada? (Não há nenhuma referência a ideias de emancipação dos escravizados).

Disponível em: https://nova-escola-producao.s3.amazonaws.com/BdYBaq7NYjHuJrvdPxyaUGcPd5Nap6NdmbyDQRf6DJ8gpQGMGjCB97GsbCvr/trecho-do-livro-historia-do-brasil-de-boris-fausto.pdf Acesso em: 23/04/2020. (Adaptado)

VAMOS LER MAIS UM TEXTO DE AUTORIA DO HISTORIADOR BORIS FAUSTO PARA REFLETIR SOBRE A INFLUÊNCIA DO LIBERALISMO NO BRASIL COLONIAL.

Na Europa ocidental, o liberalismo deu base ideológica aos movimentos pela queda do Antigo Regime, caracterizado por privilégios corporativos e pela monarquia absoluta. Nas colônias americanas, justificou as tentativas de reforma e o “direito dos povos à insurreição”. É importante observar que na obra que se tornou a bíblia do liberalismo econômico – A Riqueza das Nações, escrita por Adam Smith em 1776 – há uma crítica ao sistema colonial, acusado de distorcer os fatores de produção e o desenvolvimento do comércio, como promotor de riqueza. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2001. p. 107-108. Glossário: Insurreição: Ato de revoltar-se contra a ordem estabelecida. Liberalismo econômico: Teoria econômica proposta por Adam Smith, filósofo e economista escocês, no século XVIII que defendia a não intervenção do Estado na economia, o direito à propriedade privada e à livre-concorrência.

PARA FINALIZAR…

De acordo com todas as informações contidas nos textos, faça no seu caderno, uma análise, relacionando a liberdade defendida na Inconfidência Mineira e a liberdade das ideias liberais no século XVIII.

POR HOJE É SÓ… VOLTAREI EM BREVE COM MAIS UMA INCONFIDÊNCIA… A INCONFIDÊNCIA BAIANA.

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